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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Ah, se eu fosse marinheiro...

Os ingressos para o show "Maré" da Adriana Calcanhotto em Vitória já estão sendo vendidos — no sebo República das letras na rua da Lama e no Shopping Vitória. O show, que já passou pela Argentina, Portugal e várias cidades brasileras, acontece aqui em 31 de julho no Ginásio do Álvares Cabral e continua a tematização "mar" iniciada com o álbum "Maritmo" de 1998. Pelo o que circula pela blogosfera, essa parece ser a setlist:

1 - Maré
2 - Três
3 - Seu pensamento
4 - Maritmo
5 - Asas
6 - Teu nome mais secreto
7 - Para lá
8 - Vai saber
9 - Esquadros
10 - Mulher sem razão
11 - Sem saída
12 - Tive razão
13 - Fico assim sem você
14 - Um dia desses
15 - Vambora
16 - Porto Alegre (Nos braços de Calipso)
17 - Maresia

Encore I:
18 - Quem vem pra beira do mar
19 - Meu mundo e nada mais
20 - Deixa o verão (Cover de Los hermanos)

Encore II:
21 - Devolva-me

Em entrevista para a revista portuguesa Focus, a cantora aprofunda na ideia da trilogia do mar e defende a revolução criativa:

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Melosia, de fiapo a fiapo.

Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento

Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair

Faíscas das britas e leite das pedras.
(Em "A fábrica do poema".)

Adriana é paradigma dentro da MPB. Não só por ter horizontes criativos e lirismo consistentes, mas por saber como introduzir seu experimentalismo dentro da indústria brasileira — que não é lá muito receptiva a isso, seja pelo público, seja pela "falta de incentivo"/ pressão do empresariado.

A gaúcha já fez vários covers —
detaque pra "Disseram que eu voltei americanizada", do seu début, "Enguiço", que interpretação! —, já atacou de animadora infantil — detaque pra "Fico assim sem você" do "Adriana Partimpim" —, já divagou sobre ser e mar — "Maré", primeira faixa do álbum homônimo —, já foi melancolicamente mulher — álbum "Cantada" —, já fez muita poesia, enfim. E destacar seu esforço poético é destacar o seu terceiro álbum, "A fábrica do poema", de 1994. Para chegar até este resultado, Calcanhotto trabalhou com vários compositores — entre eles Waly Salomão, Antonio Cicero e Arnaldo Antunes —, rearranjou músicas já existentes, escreveu em fragmentos durante as turnês, e até musicou uma resposta do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, famoso por "Macunaíma". Este ímpeto criativo — ela admitiu que viu, percebeu a sonoridade incomum daquelas palavras e partiu pro trabalho no mesmo instante — deu origem à primeira faixa, "Por que você faz cinema?": acesse o link pra ver a letra.





Textos-comentário do álbum "A fábrica do poema": aqui. Música com um pouco de melancolia e muita poesia.