Mostrando postagens com marcador In a mellow tone. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador In a mellow tone. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Melosia, de fiapo a fiapo.

Sonho o poema de arquitetura ideal
Cuja própria nata de cimento

Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair

Faíscas das britas e leite das pedras.
(Em "A fábrica do poema".)

Adriana é paradigma dentro da MPB. Não só por ter horizontes criativos e lirismo consistentes, mas por saber como introduzir seu experimentalismo dentro da indústria brasileira — que não é lá muito receptiva a isso, seja pelo público, seja pela "falta de incentivo"/ pressão do empresariado.

A gaúcha já fez vários covers —
detaque pra "Disseram que eu voltei americanizada", do seu début, "Enguiço", que interpretação! —, já atacou de animadora infantil — detaque pra "Fico assim sem você" do "Adriana Partimpim" —, já divagou sobre ser e mar — "Maré", primeira faixa do álbum homônimo —, já foi melancolicamente mulher — álbum "Cantada" —, já fez muita poesia, enfim. E destacar seu esforço poético é destacar o seu terceiro álbum, "A fábrica do poema", de 1994. Para chegar até este resultado, Calcanhotto trabalhou com vários compositores — entre eles Waly Salomão, Antonio Cicero e Arnaldo Antunes —, rearranjou músicas já existentes, escreveu em fragmentos durante as turnês, e até musicou uma resposta do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, famoso por "Macunaíma". Este ímpeto criativo — ela admitiu que viu, percebeu a sonoridade incomum daquelas palavras e partiu pro trabalho no mesmo instante — deu origem à primeira faixa, "Por que você faz cinema?": acesse o link pra ver a letra.





Textos-comentário do álbum "A fábrica do poema": aqui. Música com um pouco de melancolia e muita poesia.